segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Big Apple


Tantos preparativos e uma crescente ansiedade que numa semana se transformam numa memória constante e impossível de ignorar no dia-a-dia. De repente, parece que nesta cidadezinha que vivo, assim como neste apartamento que até achava ser grande, tudo fica escuro e pequeno. Onde está a vida, a animação, a luz… a que eu me habituei na cidade que nunca dorme? Ela é mesmo assim: impossível de esquecer e de registar toda a sua espectacularidade.

O trânsito era infernal, os carros (todos eles pretos, grandes e luxuosos) parecidos sair dos stands de automóveis não andavam. Sentia-me uma sardinha enlatada na carrinha Gray line (transfere aeroporto-hotel), estava exausta pelas 10 horas de viagem e pelas 2h a tentar chegar ao hotel. Ainda assim, não deixava de apreciar os típicos táxis amarelos que sobressaiam naquele caos que era o trânsito. Eram seis da tarde de uma quarta-feira de Setembro. Não uma qualquer, mas a quarta-feira em que finalmente conheci New York City.

Lá estava eu, em Manhattan, precisamente na Lexington Avenue (avenida do hotel), a sentir-me uma formiga no meio de edifícios que quase atingem as nuvens. Em Nova Iorque é um pecado deitar cedo e acordar tarde. Não há limites. Qualquer hora é hora para fazer o que se quer e o que apetece: beber um copo, ver um espectáculo, ir ao supermercado…
Na primeira manhã do primeiro dia, de braços no ar, corri para apanhar um táxi. O motorista era de origem indiana e levou-me até à Times Square. Aquela viagem de yellow cab saiu cara, com o acréscimo da taxa que faz parte em todos os serviços na grande cidade. Fiquei hipnotizada com as luzes e cores dos reclamos luminosos. A agitação presente na Times Square seduz qualquer um. Não é por acaso que é ali que se faz o maior réveillon do planeta.

A Broadway é a avenida mais comprida de Manhattan. Super famosa pelos seus teatros que exibem superproduções de musicais e que ficam em cartaz durante vários anos. De entre muitos cruzamentos o mais conhecido é a Times Square (cruza com a Sétima Avenida) e é ponto de referência para 43 teatros que conformam o Circuito Broadway. Além dos incontáveis teatros, estão ali o Museu de Cera Madame Tussaud, a mega loja de brinquedos Toys'R'Us, a loja da Swatch, o Planet Hollywood, o estúdio da MTV, as bilheteiras TKTS para ingressos com desconto na Broadway, entre outros.

O sol esconde-se cedo nos arranha-céus da cidade mas nem por isso esta fica escura. É impossível devido à luminosidade presente nos ecrãs luminosos assim como nos edifícios. A cidade à noite torna-se ainda mais especial e perfeita. As pessoas que durante o dia parecem não perceber nada de moda, à noite desfilam nas avenidas com as suas melhores roupas, em direcção aos inúmeros restaurantes luxuosos. Pela sua riqueza em edifícios e por possuir as lojas de moda mais caras do mundo, a Fifth Avenue é símbolo de riqueza e referida como a Fashion Avenue apesar de a verdadeira ser a Sétima Avenida. De seguida vem a Catedral de St. Patrick. Um edifício que não passa despercebido no meio de filas para entrar nas lojas.

Foi no meio deste jogo de luzes, sons e diversidade de culturas, que me vi por instantes, numa cena de filme. Estava com um “balde” de café a escaldar numa mão (mesmo com o “colar de café”) e um Muffin (3 vezes maior que um queque) na outra, a circular na 7th Avenue. Acordei para a vida quando o café que sabia a água suja verteu para o meu top. Nem por isso a sedução se esvaneceu. A cidade era bela demais, a sua silhueta era perfeita… A loja dos M&M de dois andares cheia de cores, a Toys'R'Us igualmente gigantesca com uma roda gigante no seu interior, os “carrinhos” dos hot dogs, donuts e afins…

Até as lojas dos souveniers encantam qualquer um com as suas t-shirts “I love NY”. Noutro sítio do mundo já estava enjoada com os milhares de “I love NY” nas montras, mas lá transforma-se em moda e não há ninguém que não entre neste contágio.

Foi num dos autocarros hop on hop off, no segundo andar, que admirei a ilha que cresceu para cima, passeando pelas ruas e bairros emblemáticos de Manhattan. O Empire State Building proporciona a melhor vista sobre Manhattan mas que não tive oportunidade de apreciar devido ao tempo nublado e chuvoso. Com 381 metros de altura é o edifício mais alto e o mais famoso de Nova Iorque. O seu maior rival é o Chrysler Building que é o segundo maior edifício mas na minha opinião o mais belo.


A famosa árvore de Natal, o ringue de patinagem, os estúdios da NBC e o Radio City Music Hall são no Rockefeller Center e funciona tudo na perfeição. Consegue-se obter a melhor vista sobre o Central Park a partir do Observatório Top of the Rock, no 69º piso. Tudo passa por este centro nevrálgico da cidade.

Mesmo para quem nunca foi louco por compras, em Nova Iorque és com certeza! Não propriamente em Nova Iorque porque tudo o que vi na Bigg Apple foram lojas dispendiosas, mesmo as marcas até então desconhecidas. Estou a falar em marcas como a Guess, Armani ou Calvin Klein por uma bagatela em outlets nos arredores de Nova Iorque. No entanto não se pode deixar de conhecer a maior loja de departamentos do Mundo (é considerado quase como um museu!) – Macy’s – nem se pode despedir da cidade sem levar um conjunto de lingerie da Victoria’s Secret!

“Venham a mim os exaustos, os pobres, as massas desorientadas, ansiando por respirar liberdade”. Esta é a frase gravada na base da Estátua da Liberdade, prostrada numa pequena ilha no meio da baía de Nova Iorque. Dela capta-se uma vista conhecida nos filmes que é no mínimo fantástica… O bilhete de acesso (12 dólares/pessoa) contempla a viagem de barco e a visita à Liberty e à Ellis Island, antigo centro de recepção de imigrantes.


Depois dos atentados de 11 de Setembro de 2001, a expressão “ Eu estive lá!” ganhou um novo sentido para quem vai ao perímetro à volta do Ground Zero. O vazio deixado pelas Torres Gémeas e o recordar o mais de duas mil vitimas tornou-se um ritual de reflexão para quem ali passa. Sair de Manhanttan é como o terminar de um sonho. Foi o que me aconteceu quando decidir ir a Brooklyn. Acabaram-se os arranha-céus, as avenidas chiques, as lojas luxuosas, os ecrãs luminosos, a higiene nas ruas…A magia volta no regresso pela ponte de Manhanttan. Nela, obtém-se uma das melhores vistas de Nova Iorque e umas das mais emblemáticas imagens de marca da ponte de Brooklyn, com os seus cabos de aço a cruzar os céus!

Por mais que as modas mudem e a baixa Nova Iorquina esteja na berra, é nas quatro margens da Central Park que ficam os apartamentos e hotéis com as vistas mais disputadas da cidade. Qualquer famoso tem lá um ou dois ou até três apartamentos! A cores ou a preto e branco, são muitas os filmes e séries que fizeram Nova Iorque entrar pelos nossos olhos e pela nossa alma. E isso vê-se principalmente no grandioso Central Park. Strawberry Fields, em homenagem a John Lennon, assassinado ali perto (edifício Dakota), é o local mais visitado.

No Sexo e A Cidade, o Central Park aparece como na vida real: as conversas junto à fonte, os desgostos de amor chorados junto aos lagos, os passeios e joggings pelo parque…


A sua exploração pode ser feita a pé (se tivermos um dia inteiro só para o ver), de bicicletas alugadas, de charrete ou através de passeios turísticos organizados com guia. Na entrada mais a Sul, perto do Plaza Hotel, encontra-se o Ringue de Patinagem (no Inverno). Um pouco mais acima e ao leste fica o Jardim Zoológico. Perto do lago onde se alugam pequenos barquinhos de controlo remoto, está a escultura de Alice no Pais das Maravilhas. Esta área e os playgrounds são as mais aproveitadas pelas crianças. Mais acima, na Boathouse, pode-se passear num barco a remos. Em redor do Central Park encontram-se os melhores museus da cidade, como por exemplo, the Metropolitam Museum of Art.
Madison Square Garden é a arena mais famosa do mundo. Está localizada na 7th Avenue, entre as ruas 31 e 33 e é a casa do New York Knicks, New York Rangers e os melhores shows e eventos da família na área tri-state.

A cidade é formada por mais quatro distritos: Queens, Brooklyn, Bronx e Staten Island. Mas as atracções encontram-se em Manhattan. Por isso, apesar de ser uma cidade grande é possível admirá-la passeando a pé e utilizar como opção o metro para distâncias maiores. Para informações acerca de mapas e planeamento de uma futura viagem uma espreitadela aqui dá jeito! Aparenta ser uma cidade segura graças à presença constante de patrulhas policiais nas ruas e nas estações do metro. Bairros diferentes mas curiosos são Chinatown, Tribeca e Soho que merecem uma visita. Na Chinatown é possível apanhar um bus para Washington na estação rodoviária por menos de metade do preço, em relação ao Port Authority BusTerminal. Na zona mais a norte de Manhattan está o bairro Harlem, um grande centro cultural e comercial dos afro-americanos, e uma das zonas mais ricas em termos habitacionais, the Upper East Side.

Qualquer estação do ano é boa para ir a New York City mas desaconselho no Verão devido às elevadas temperaturas e aconselho no Natal pelo espírito natalício que envolve a cidade. A cidade veste-se de acordo com a estação do ano!Uma semana foi pouco para tanto que queria ver. Aliás, acho que mesmo que tivesse estado lá 3 semanas ia achar sempre insuficiente. Por isso quero muito regressar!

Num abrir e fechar de olhos, sai da cidade que nunca dorme para admirar umas das maravilhas do mundo – Niagara Falls. As três enormes cataratas deram o nome à cidade, quer do lado americano (Niagara Falls, Nova Iorque), quer do lado Canadiano (Niagara Falls, Ontário). Encontra-se à beira da fronteira com o Canadá, no rio Niagára. São inúmeras as atracções que permitem vistas imperdíveis sobre as cascatas. O contacto mais directo foi mesmo através do passeio de barco que passa por baixo das quedas de água (Maid of the Mist). É simplesmente fantástico!

Numa altura em que fotografar era impossível devido às quedas de água...
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3 comentários:

Carlos disse...

Uau, que viagem... Adorei.
De facto é muito difícil falar sobre alguma coisa que nos deixa deslumbrados e verdadeiramente pequenos. Sem dúvida o teu melhor post (na minha humilde opinião) e, sem descurar as tuas outras viagens, New York é a cidade e a viagem mais marcante que fizeste na tua vida. Se for esse o teu desejo, seria bonito um dia viveres lá. Mais uma vez, adorei o post e AMEI esta viagem contigo, aqui pelo teu cantinho.
P. S. - Adorei as lembranças que me trouxeste. Obrigado.

Adoro-te, minha Viajante do Mundo.

Carlos disse...

In deed, From now on, I Love NY even more... Beijos...

Anónimo disse...

Então fui no meu mais profundo do meu ser por todos os lugares possível de se ir... até chegar o mais longe de mim e me encontrar tão longe, que o meu perto se transformou no encontrar de meus pensamentos bons e coberto de maravilhas que não tinha conhecido antes.